Perspectivas de Consumo

Estudo da Nielsen mostra que o brasileiro está disposto a recuperar hábitos de compra que haviam sido deixados de lado. Cash & Carry e varejo de vizinhança se tornam os canais mais frequentados e se configuram como opções não só de reposição, mas também de abastecimento.

Entre os anos de 2015 e 2016, uma das principais preocupações do brasileiro

era o aumento das contas do lar e do preço dos alimentos, de acordo com o Estudo Global da Confiança do Consumidor, realizado pela Nielsen.

Preocupado em não ter renda suficiente para cobrar gastos básicos, o consumidor fechou a carteira e diminuiu a frequência de compra em alguns setores, entre eles, o de beleza A boa notícia é que, desde o segundo semestre de 2017, a economia passa por um momento de maior estabilidade. O Produto Interno Bruto (PIB) registrou uma variação positiva no fim do ano passado, a inflação permaneceu controlada, a taxa de juros caiu e houve uma pequena redução do desemprego.

Diante de notícias mais otimistas e perspectivas mais animadoras, o brasileiro recuperou o ânimo e adotou um comportamento mais confiante, que reflete de maneira direta na retomada do consumo. No ano passado, as preocupações com contas a pagar já não estavam entre as maiores dores de cabeça da população, o que abriu espaço para compras menos essenciais. Os gastos com categorias de bens de consumo, chamadas pela Nielsen de Fast Moving Consumer Goods (FMCG), cresceram 8,4% entre 2016 e 2017, e devem seguir neste ritmo no acumulado de 2018. Dentro desse segmento, o setor de Higiene & Beleza (H&B) foi um dos mais beneficiados com a retomada do consumo.

Mais aliviado, o brasileiro voltou às compras em grande estilo. Enquanto em 2016, 42% dos lares trocaram de marca para economizar, no fim de 2017, apenas 35% estavam dispostos a comprar itens mais baratos. Para compensar e equilibrar o orçamento, os brasileiros preferiam reduzir a alimentação fora do lar e gastos com vestuário e bens duráveis, segundo o Estudo 360º Consumer View da Nielsen, realizado com 8.400 lares. Um dos fatores que permitiu a retomada do consumo em certas categorias foi que, apesar dos abalos econômicos terem deixado as famílias brasileiras de todas as classes sociais em alerta, muitas não sofreram real impacto da crise.

De acordo com estudo da Nielsen, em 2017, 48,2% dos lares brasileiros saíram ilesos, ou seja, não acumularam dívidas e não perderam o emprego. Desse total, 26% não foram impactados nos últimos dois anos e 22,2% presenciaram a crise em 2016, mas conseguiram contornar sua situação financeira com o tempo. Os lares não impactados podem ser descritos

como famílias que mantêm uma boa saúde financeira e se preocupam em manter o padrão de consumo no futuro. Devido a essa preocupação com a manutenção de um status já conquistado, eles gastam 13% a mais que a média brasileira. “Esses lares ficaram mais cautelosos, mas declararam que pretendem voltar ao patamar de consumo assim que a crise acabar. Lazer, marcas mais caras e produtos que deixaram de ser consumidos são os alvos futuros”, avalia a especialista em consumo da Nielsen, Daniela Balmant.

O estudo também identificou que há famílias que sofreram reflexos das dificuldades do País há dois anos, mas conseguiram retomar o poder econômico e estão novamente interessadas em consumir. Em sua maioria, são lares preponderantemente de nível socioeconômico C (54,4%), sem crianças (50,2%), com famílias de três a quatro membros (49,1%). De acordo com o estudo da Nielsen, os canais mais frequentados por esse grupo são o cash & carry e varejo de vizinhança, entre eles, pequenas e médias perfumarias.

“Esse canal ganha em frequência, tíquete médio e torna-se uma alternativa não só de reposição, mas também de abastecimento”, informa Daniela. O brasileiro em 2018 O estudo da Nielsen aponta que o consumidor fará escolhas mais conscientes e cautelosas neste ano. “Com a crise, ele aprendeu a planejar suas compras, economizar por meio do gerenciamento de seus gastos, fazer opções inteligentes quanto à escolha de produtos e canais”, diz o especialista em entendimento do consumidor da Nielsen, Ricardo Alvarenga.

Ao mesmo tempo, por se sentir um pouco mais aliviado quanto ao contexto econômico, o consumidor também estará mais propenso a diminuir os gastos com categorias básicas e a aumentar o consumo com amenidades e itens de indulgência, como produtos de H&B. Cerca de 23% dos lares analisados pela Nielsen declararam que pretendem voltar a comprar marcas mais caras, que tinham ficado de lado por receio dos percalços do País.